Boas, parceiros da estrada! O outono já nos bateu à porta e com ele vêm os nossos velhos conhecidos: o alcatrão a brilhar de molhado e aquelas muralhas de nevoeiro que nos fazem sentir a navegar e não a conduzir. Todos sabemos que dominar um gigante de 40 toneladas já exige unhas, mas quando o tempo fecha, a conversa é outra. É preciso mais do que experiência; é preciso ter a cabeça no sítio e conhecer os truques do ofício para chegar inteiro ao destino.
Manobrar o gigante em piso escorregadio
A primeira chuva é sempre a pior. Lava toda a porcaria que se acumulou no asfalto – óleos, borracha, poeiras – e transforma a estrada num verdadeiro sabão. Sabes bem do que falo. A sensação de que o camião quer seguir uma trajetória própria não é nada agradável. O principal inimigo aqui é a aquaplanagem. Mesmo com o peso do nosso lado, se a velocidade for excessiva e a camada de água for considerável, os pneus perdem o contacto com o piso.
A primeira regra é óbvia, mas é a que mais se ignora: abrandar. E não é abrandar quando já estás a dançar na estrada. É reduzir a velocidade de forma proativa, assim que caem os primeiros pingos. Esquece os limites legais por um momento e pensa na física. A distância de travagem de um pesado carregado em piso molhado aumenta exponencialmente. Onde em seco precisarias de 50 metros para parar, em molhado podes precisar do dobro ou mais.
A distância de segurança é a tua apólice de seguro. A regra dos três segundos que ensinam aos "domingueiros" nos carros ligeiros? Para nós, em dias de chuva, devia ser a regra dos seis ou oito segundos. Escolhe um ponto fixo na estrada, como um poste de iluminação. Quando o veículo da frente passar por ele, começa a contar devagar: "mil e um, mil e dois, mil e três…". Se chegares ao poste antes de contar até seis, estás demasiado perto. Dá espaço a ti mesmo e aos outros.
Quando precisares de travar, fá-lo com a suavidade de uma pluma. Travagens bruscas em piso molhado são um convite ao desastre, podendo bloquear as rodas e causar o temido efeito "L" se levares reboque. Antecipa as rotundas, os semáforos e as filas de trânsito. Tira o pé do acelerador muito antes e deixa o motor ajudar a reduzir a velocidade. Usa os travões de forma progressiva e constante. Se sentires o camião a aquaplanar, a tua intuição vai gritar para travares a fundo. Não o faças. Tira o pé do acelerador com calma, segura o volante com firmeza e não faças movimentos bruscos. O peso do veículo acabará por vencer a água e recuperar a tração.
Navegar na sopa de nevoeiro
Pior que a chuva, só mesmo aquele nevoeiro cerrado que não te deixa ver um palmo à frente do nariz. Conduzir nestas condições é um teste aos nervos de qualquer um. A visibilidade é quase nula e o maior perigo não é o que vês, mas o que não vês.
A primeira coisa a fazer é garantir que és visto. Liga os médios e as luzes de nevoeiro, tanto as da frente como as de trás. Nunca, mas nunca, uses os máximos. A luz forte reflete nas gotículas de água suspensas no ar e cria uma parede branca à tua frente, encandeando-te ainda mais. E, por favor, lembra-te de desligar as luzes de nevoeiro assim que a visibilidade melhorar. Ninguém gosta de levar com aquele holofote vermelho nos olhos em plena autoestrada.
A velocidade tem de ser drasticamente reduzida. A regra de ouro é: só deves circular a uma velocidade que te permita parar em segurança no espaço que consegues ver. Se a tua visibilidade é de 30 metros, tens de ser capaz de imobilizar o camião nesses 30 metros. Faz as contas e verás que isso significa andar muito, muito devagar.
Para te guiares, usa a linha da berma à tua direita como referência. Evita fixar o olhar nas luzes traseiras do veículo da frente. É uma armadilha. Se ele travar de repente, não terás tempo de reação, e é assim que acontecem os engavetamentos em série. Mantém uma distância generosa e foca-te na tua faixa de rodagem.
A dica de estrada: Antes de arrancar para uma tirada com previsão de chuva, passa um pano seco com um pouco de champô de bebé no interior do para-brisas. Ajuda a evitar que embacie tanto.
Em condições de nevoeiro extremo, a opção mais sensata é mesmo parar. Mas atenção, parar na berma é quase tão perigoso como continuar a circular. Procura a próxima área de serviço ou um parque de descanso seguro, fora da via de circulação. Liga os quatro piscas bem antes de saíres da estrada para alertar quem vem atrás. A estrada não vai a lado nenhum. Mais vale chegar tarde do que não chegar.
No fundo, tanto na chuva como no nevoeiro, tudo se resume a duas palavras: antecipação e paciência. O nosso escritório é o alcatrão e a nossa obrigação é mantê-lo seguro, para nós e para os outros.
E vocês, que truques têm na manga para estes dias cinzentos? Partilhem aí nos comentários. Boas curvas e estradas seguras para todos.
