Boas, parceiros da estrada!
Sabem bem do que falo: é agosto, o alcatrão da A2 ferve debaixo dos pneus e pela frente temos a subida de Grândola. A carga vai no limite, o pé direito vai a fundo e o ponteiro da temperatura do motor começa a subir devagarinho, mas sem vergonha. É aquele suor frio que nos percorre a espinha, a rezar para que a máquina não dê o berro e nos deixe encostados na berma, à espera de uma assistência que custa os olhos da cara e nos atrasa a vida. Pois bem, grande parte destes sustos podia ser evitada com uns minutos de atenção antes de nos fazermos à estrada. Hoje não vamos falar de rotas nem de cargas, vamos ao coração da máquina e ver como o mantemos a bater na temperatura certa.
O Coração da Máquina: Mais do que Apenas o Óleo do Motor
Quando se fala em óleo, a malta pensa logo na lubrificação. E está certo, mas o óleo do motor tem outra função vital: arrefecer. Ele circula por todo o motor, absorvendo calor de zonas críticas como os pistões, e ajuda o sistema de refrigeração a fazer o seu trabalho. Um nível baixo ou um óleo velho e degradado perdem esta capacidade. Verificar é simples, mas tem de ser bem feito.
Primeiro, a máquina tem de estar parada há algum tempo e em terreno plano. Um camião inclinado dá uma leitura falsa. Puxa a vareta do óleo, limpa-a bem com um pano ou papel. Volta a inseri-la até ao fundo e retira-a novamente. Agora sim, vês o nível. Tem de estar entre as marcas de MÍNIMO e MÁXIMO. Nunca abaixo, mas também não convém estar acima, pois o excesso de pressão pode danificar vedantes.
Mas não basta ver o nível. Olha para a cor e a textura do óleo no pano. Se estiver demasiado preto e grosso, tipo alcatrão, está a pedir reforma. Se tiver uma cor de café com leite, cuidado! É sinal de que pode ter água misturada, o que indica um problema grave na junta da cabeça. Ver isto a tempo pode poupar-te uma reparação de milhares de euros.
O Grande Herói Silencioso: O Líquido de Refrigeração
Este é o campeão do controlo de temperatura. É o anticongelante, o líquido de refrigeração, o que lhe quiserem chamar. A sua missão é circular entre o motor e o radiador, roubando o calor ao primeiro e libertando-o no segundo com a ajuda da ventoinha. Água da torneira não serve, malta. O líquido de refrigeração tem aditivos que evitam a corrosão, a ferrugem e, mais importante, tem um ponto de ebulição muito mais alto que a água. Quando o motor está sob esforço, a temperatura do sistema pode passar dos 100 °C, e aí a água já estaria a ferver, criando vapor e uma pressão perigosa.
Para verificar, a regra de ouro é: NUNCA, mas NUNCA, abras a tampa do radiador ou do vaso de expansão com o motor quente. A pressão acumulada pode projetar líquido a ferver e causar queimaduras graves. Espera que o motor arrefeça. A verificação faz-se no vaso de expansão, aquele depósito de plástico transparente ao lado do radiador. Ele tem marcas de MÍNIMO e MÁXIMO bem visíveis. O nível, a frio, deve estar entre as duas. Se tiveres de atestar, usa o mesmo tipo de líquido que já lá está. Misturar tipos diferentes pode anular as suas propriedades. Aproveita para ver a cor. Se estiver acastanhado e com ar de ferrugem, é sinal de que o sistema precisa de uma boa limpeza e de líquido novo.
Os Outros Fluidos que Ajudam a Manter a Calma
A saúde do motor não depende só destes dois. Há outros fluidos que, indiretamente, ajudam a evitar o stresse e o sobreaquecimento. O óleo da direção assistida, por exemplo. Um nível baixo pode fazer a bomba trabalhar em esforço, sobreaquecer e até roubar potência ao motor através da correia de acessórios, contribuindo para o aquecimento geral. O mesmo se aplica ao óleo da caixa de velocidades, especialmente nas automáticas. Uma caixa a trabalhar com óleo em mau estado ou com nível baixo gera um atrito brutal e um calor que se vai sentir no desempenho geral da máquina. A verificação destes varia de camião para camião, mas normalmente envolve uma vareta ou um visor. Cinco minutos a dar uma vista de olhos a tudo isto é o melhor investimento que podes fazer no teu dia.
Dica útil de estrada: Se, mesmo com tudo em ordem, notares o ponteiro da temperatura a subir perigosamente numa subida longa, há um truque antigo que pode ajudar a safar-te até um local seguro. Liga a sofagem (o aquecimento da cabine) no máximo e com a ventoinha no máximo. Parece loucura no verão, eu sei, mas o radiador da sofagem vai funcionar como um pequeno radiador extra, ajudando a dissipar algum calor do motor e a baixar a temperatura uns graus vitais.
Cuidem das vossas máquinas e elas cuidam de vocês na estrada. Estas verificações não são perda de tempo, são a garantia de que chegamos ao destino sem dramas.
E vocês, que outras manhas têm para manter a temperatura controlada? Partilhem aí nos comentários. Boas curvas e até à próxima!
